Arquivo de Aug/2007

“Causos”

26/Aug/2007

Em toda cidade, em toda família há os contadores de causos. Na minha família há alguns, sobretudo entre os que moram no interior. Meu pai (que, fosse vivo, teria completado 80 anos em julho) foi um desses bons contadores de causos – histórias simples, despretensiosas, engraçadas e cheias de exageros. Acrescentava detalhes por sua conta, como fazem os melhores contadores. Em 1993, e lá se vão 14 anos, com o fito de homenageá-lo, colhi três narrativas orais suas e transformei-as em histórias escritas. Para cada uma delas criei um título diferente e em todas inseri o subtítulo ”Causos do Alexandre”, para identificar o autor da história original. Enviei os causos para um concurso da então agência centro do Banco do Brasil, de BH, que na ocasião comemorava seus 75 anos. Uma das histórias ficou em primeiro lugar, e outra ficou em quarto. Meu pai só ficou sabendo quando lhe entreguei o jornalzinho com a notícia estampada. Transcrevo pela primeira vez o pequeno conto que ficou em primeiro lugar. 

CAXINGUELÊ – Causos  do  Alexandre 

Miranzelo 

Décadas atrás, havia um chefe de setor temperamental, desses que explodem à toa. Mais nervoso ficava quando percebia que, secretamente, os colegas lhe atribuíam o indigesto apelido de “caxinguelê”. 

Ao ver um funcionário discutindo com um cliente, chamou-o em sua mesa. O cliente permaneceu do outro lado da sala, esperando.

–Você não pode discutir dessa maneira com o cliente, mesmo que você tenha razão – reclamou o caxin… quer dizer, o tal chefe. 

Para se safar, o funcionário resolveu fazer uma brincadeira maldosa:

–Chefe, eu agüentei muito desaforo. O cliente me chamou de tudo quanto é nome, me xingou, xingou até minha mãe. Mas quando ele disse “seu chefe é um caxinguelê”, aí eu apelei, perdi o controle.  

Nesse momento, o rosto do chefe foi-se transformando de forma assustadora, foi ficando vermelho, prestes a explodir. Parecia um vulcão. Ele se levantou, virou-se para o cliente e gritou:

–Caxinguelê  é  a  P.Q.P.!

Belos versos da música brasileira – Parte I

22/Aug/2007

Quem não acredita que há letristas da música popular brasileira que - em alguns momentos - são poetas? Eu acredito. Repasso três escolhas sacramentadas por críticos e opinião pública. Em seguida, palpites meus. Fiquem à vontade para opinar. 

“Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”- de Guilherme de Brito, na música A flor e o espinho, parceria com Nelson Cavaquinho e Alcides Caminha. 

 “Tu pisavas nos astros distraída” - de Orestes Barbosa, em Chão de estrelas, parceria com Silvio Caldas.

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti” - de Cartola, em As rosas não falam. 

De fato, são três lindos exemplos.  Agora, alguns versos que escolhi para compor este bom mosaico da MPB: 

 “E você era a princesa que eu fiz coroar, era tão linda de se admirar e andava nua pelo meu país” - de Chico Buarque, em João e Maria

 “Quem é ateu e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar” -  de Caetano Veloso, em Milagres do povo

 “Você sabe quantas noites eu te procurei, nessas ruas onde andei? Conta onde passeia hoje esse seu olhar” - de Costa Netto,  em  Paulista, parceria com Eduardo Gudin. 

 “Deixo que o vento traga estampas coloridas em papéis de chocolate pra cobrir minha canção” - de Petrúcio Maia e Antônio Brandão, em Beco dos baleiros

 “O amor é como um raio galopando em desafio, abre fendas, cobre vales, revolta as águas dos rios” - de Djavan, em Faltando um pedaço

 “Alguém sorriu de passagem, numa cidade estrangeira. Lembrou o riso que eu tinha e esqueci entre os dentes” - de Ronaldo Bastos, em Um gosto de sol, parceira com Milton Nascimento.

*Depois tem mais.

Dois

21/Aug/2007

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CANTINA LAZARELLA

11/Aug/2007

Há muito eu queria conhecer o bairro do Bixiga, em São Paulo, onde velhas casas foram transformadas em Cantinas Italianas. Tive esse privilégio em julho, acompanhado de minha mulher e de um casal de amigos pra lá de gente fina. A escolha recaiu sobre a Cantina Lazarella, na Rua Treze de Maio. O local é muito simples e o preço, razoável. Um lugar divertidíssimo, para quem gosta de fuzarca: música italiana tradicional, ao vivo, sirenes tocando e até um galo empanado que berra de vez em quando. Comemos lasanha, nada do outro mundo: normal. O vinho da casa é bonzinho, servido em jarras. Pela alegria, vale à pena conhecer a Cantina Lazarella.

2/Aug/2007

Homem fala é na cara;  quem cochicha é maricas.

Como seria chata a vida dos incompetentes se não pudessem fofocar sobre os inteligentes.

Se os medíocres não fossem invejosos, eles seriam apenas incompetentes.

Se sorrir fosse prova de simpatia e boas intenções, as hienas não seriam carnívoros tão atrozes.

Os medíocres são sócios.

O que assusta não é a mentira que os bobos inventam, é a coragem que têm de dizê-las.