Porque hoje é sexta.
Poderemos respirar mais fundo, um ar diferente, embora poluído. Recriando dois versos do poema “O dia da criação”, de Vinicius, eu declaro:
Hoje é sexta, amanhã é sábado.
Impossível não notar essa dócil realidade.
Sexta-feira é um dia especialíssimo. Cada qual a tem do seu jeito, é verdade, mas ela existe para todos. É o dia da preparação do descanso, após uma semana pesada. Dia de planejarmos boas coisas para nós mesmos, inclusive para o sábado e o domingo.
Mal raia a sexta e todos acordam animados, apesar do cansaço. No trabalho, as pessoas parecem mais satisfeitas, pacientes, uns a brincar com os outros. Momento de curtir a alegria que todos nós merecemos.
Sexta-feira… Belo dia pra pensar sobre o já feito e sonhar com o que virá. Pra fazer um balanço da semana vencida.
Já falaram tanto do sábado! Em poemas, reportagens, na vida, de toda forma. Claro, o sábado merece, é maravilhoso. Mas faço uma provocação: para existir o sábado, é preciso que antes exista a sexta-feira.
Na sexta, dá vontade de levantar e ir trabalhar mais cedo. Quem sabe, para o dia não ficar tão longo no final. Assim nos parece, mesmo que ilusoriamente. Para muitos, no início da noite, o melhor momento para tomar um chope gelado e prosear com os amigos. Ah, o pastelzinho de carne, a batata frita, a porção de queijo e a picanha assada nos esperam no entardecer da sexta. É preciso certa cautela, nos comes e bebes, para não perdermos o sábado e sua graça singular.
No dia de hoje, uns vão ao cinema, outros ao teatro, à lanchonete, a um show musical, ao shopping, namorar, enfim, a noite é convidativa. E sendo Belo Horizonte a Capital Nacional dos Bares, a coisa ficar mais fácil.
No verão, as noites de sexta se tornam ainda mais distintas: o mormaço e o fim da estiagem provocam um movimento diferente nas ruas, o comércio se arrastando com preguiça, as loterias prometendo castelos, o ano a começar. Uns viajam, os jovens caem na balada.
Ir a um restaurante com a família também é boa pedida. Ou nada disso. Ficar em casa, esticar os pés, andar descalço, espreguiçar, tomar banho morno, encostar-se ao sofá, ler ou ficar diante da TV. Ficar pensando no que fazer e, de repente, decidir por nada fazer. Porque hoje é sexta, e a noite brilha inteira e livre como nunca.