Arquivo de Jan/2008

VINHO DE ROMA

27/Jan/2008

Quando jovem, por volta dos 18 anos, minha turma se reunia na casa de um dos amigos: curtir um som, papear e tomar umas biritas. Começávamos a conhecer uma bebida não-tropical, o vinho. Quem nunca tomou da marca… de garrafa ou… de garrafão? Bem ruins, não é? Tinham de ser tintos, pois os brancos eram intragáveis. Não me tornei enólogo, não compro dos mais caros (não ganhei na loteria), mas gosto de apreciar um bom vinho. Fico com os que custam entre 8 e 20 dólares (preço de prateleira). E me contento com simples descobertas. Como a desse Frascati, um San Marco, 2006, que é muito gostoso. Branco seco, meio-frisante, da sub-região de Lazio, Itália. Neste verão, então, bem gelado…  Salute!

Porque hoje é sexta

18/Jan/2008

Porque hoje é sexta. 

Poderemos respirar mais fundo, um ar diferente, embora poluído. Recriando dois versos do poema “O dia da criação”, de Vinicius, eu declaro: 

Hoje é sexta, amanhã é sábado.

Impossível não notar essa dócil realidade

Sexta-feira é um dia especialíssimo. Cada qual a tem do seu jeito, é verdade, mas ela existe para todos. É o dia da preparação do descanso, após uma semana pesada. Dia de planejarmos boas coisas para nós mesmos, inclusive para o sábado e o domingo.  

Mal raia a sexta e todos acordam animados, apesar do cansaço. No trabalho, as pessoas parecem mais satisfeitas, pacientes, uns a brincar com os outros. Momento de curtir a alegria que todos nós merecemos. 

Sexta-feira… Belo dia pra pensar sobre o já feito e sonhar com o que virá.  Pra fazer um balanço da semana vencida. 

Já falaram tanto do sábado! Em poemas, reportagens, na vida, de toda forma. Claro, o sábado merece, é maravilhoso. Mas faço uma provocação: para existir o sábado, é preciso que antes exista a sexta-feira.  

Na sexta, dá vontade de levantar e ir trabalhar mais cedo. Quem sabe, para o dia não ficar tão longo no final. Assim nos parece, mesmo que ilusoriamente. Para muitos, no início da noite, o melhor momento para tomar um chope gelado e prosear com os amigos. Ah, o pastelzinho de carne, a batata frita, a porção de queijo e a picanha assada nos esperam no entardecer da sexta. É preciso certa cautela, nos comes e bebes, para não perdermos o sábado e sua graça singular.  

No dia de hoje, uns vão ao cinema, outros ao teatro, à lanchonete, a um show musical, ao shopping, namorar, enfim, a noite é convidativa. E sendo Belo Horizonte a Capital Nacional dos Bares, a coisa ficar mais fácil.  

No verão, as noites de sexta se tornam ainda mais distintas: o mormaço e o fim da estiagem provocam um movimento diferente nas ruas, o comércio se arrastando com preguiça, as loterias prometendo castelos, o ano a começar. Uns viajam, os jovens caem na balada. 

Ir a um restaurante com a família também é boa pedida. Ou nada disso. Ficar em casa, esticar os pés, andar descalço, espreguiçar, tomar banho morno, encostar-se ao sofá, ler ou ficar diante da TV. Ficar pensando no que fazer e, de repente, decidir por nada fazer. Porque hoje é sexta, e a noite brilha inteira e livre como nunca.