Arquivo de Jul/2008

GALINHANJA

27/Jul/2008

A gente costuma acertar na cozinha: é um prato que fica bom, outro que sai com tempero perfeito. E errar também: má consistência, um sal que passa. Também pudera, a vida é para profissionais, já disse um poeta. Noite dessas, fui fazer, pela primeira vez, uma galinhada. Comecei errado, nas compras. Comprei peito de frango, sendo mais indicadas partes menos macias, menos secas e menos nobres. O erro maior, entretanto, foi ter colocado muita água no arroz. Mas radicalizei a tempo, quando vi que a água não secaria devidamente. Coloquei mais água quente. O resultado foi que minha galinhada virou canja. E muito gostosa, por sinal, caindo ali feito uma luva o tal peito de frango.  

Belos versos da música brasileira - Parte II

20/Jul/2008

Sempre houve polêmica nesta questão: letra de música é ou não é poesia? Também eu me confundia bastante sobre isto, vinte anos atrás. Depois de pesquisar as duas linguagens e de ouvir palestras de pessoas “autorizadas”, ou seja, que produzem bem ambas as coisas, letras e poemas, pude concluir que são coisas diferentes – e a explicação não é tão simples para caber aqui. Entretanto, e agora a opinião e a provocação são minhas, se é inegável que a poesia pode existir em muitos lugares – num filme, numa pintura, num discurso – por que não numa letra de canção?  Leia abaixo alguns versos que selecionei, do cancioneiro popular do Brasil, para esta segunda parte. Depois clique no que foi escrito em agosto de 2007, pois lá se encontra a primeira parte desta seleção. 

“Eu venho das dunas brancas, onde eu queria ficar, deitando os olhos cansados, por onde a vida alcançar” - de Ednardo, em Terral 

“Cada braça de caminho, um soluço de saudade,  toda vereda de roça vai descambar na cidade” - de Ednardo e Climério, em Estaca Zero 

“A vida é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,  vai reduzir as ilusões a pó” - de Cartola, em A vida é um moinho 

“Se ela um dia despencar do céu, e se os pagantes exigirem bis, e se o arcanjo passar o chapéu, e se eu pudesse entrar na sua vida” - de Chico Buarque, em Beatriz, parceria com Edu Lobo 

“Luzes da cidade  acendendo o fogo das paixões num bar à beira-mar,  no verde-azul do Rio de Janeiro” - de Nelson Motta, em Coisas do Brasil, parceria com Guilherme Arantes 

 “Pra dar um tempo e prestar atenção nas coisas, fazer um minuto de paz” - de Ronaldo Bastos, em  A página do relâmpago elétrico, parceria com Beto Guedes 

“O futuro não é mais como era antigamente”- de Renato Russo, em Índios 

*Depois tem mais.

Belo

14/Jul/2008

Se o espírito belo-horizontino é barroco, como o de todo bom mineiro, não nos parece tão dramático e complexo que traga dentro de si o embate permanente entre o místico e a matéria, entre o espiritual e o temporal(…).

Feito Minas, o coração de Belo Horizonte comporta grutas de silêncio e mares de água doce.

© Rogério Miranzelo – da crônica Belo