Sempre houve polêmica nesta questão: letra de música é ou não é poesia? Também eu me confundia bastante sobre isto, vinte anos atrás. Depois de pesquisar as duas linguagens e de ouvir palestras de pessoas “autorizadas”, ou seja, que produzem bem ambas as coisas, letras e poemas, pude concluir que são coisas diferentes – e a explicação não é tão simples para caber aqui. Entretanto, e agora a opinião e a provocação são minhas, se é inegável que a poesia pode existir em muitos lugares – num filme, numa pintura, num discurso – por que não numa letra de canção? Leia abaixo alguns versos que selecionei, do cancioneiro popular do Brasil, para esta segunda parte. Depois clique no que foi escrito em agosto de 2007, pois lá se encontra a primeira parte desta seleção.
“Eu venho das dunas brancas, onde eu queria ficar, deitando os olhos cansados, por onde a vida alcançar” - de Ednardo, em Terral
“Cada braça de caminho, um soluço de saudade, toda vereda de roça vai descambar na cidade” - de Ednardo e Climério, em Estaca Zero
“A vida é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó” - de Cartola, em A vida é um moinho
“Se ela um dia despencar do céu, e se os pagantes exigirem bis, e se o arcanjo passar o chapéu, e se eu pudesse entrar na sua vida” - de Chico Buarque, em Beatriz, parceria com Edu Lobo
“Luzes da cidade acendendo o fogo das paixões num bar à beira-mar, no verde-azul do Rio de Janeiro” - de Nelson Motta, em Coisas do Brasil, parceria com Guilherme Arantes
“Pra dar um tempo e prestar atenção nas coisas, fazer um minuto de paz” - de Ronaldo Bastos, em A página do relâmpago elétrico, parceria com Beto Guedes
“O futuro não é mais como era antigamente”- de Renato Russo, em Índios
*Depois tem mais.