Arquivo de Abr/2009

As canções do Roberto

27/Abr/2009

Como todos estão homenageando Roberto Carlos pelos 50 anos de carreira, presto aqui também minha pequena homenagem ao Rei, que estreou profissionalmente aos 18 anos e está fazendo agora 68.  

Foi a partir da adolescência que comecei a amar e a entender melhor a música, a discernir o que (em minha opinião) seja música de qualidade.  De lá para cá tenho buscado apurar meus ouvidos. Roberto, Erasmo e Companhia sempre passaram longe das minhas preferências musicais. Talvez pela guinada que Roberto fez, ainda jovem, passando do rock e de canções com letras rebeldes, embora simples, para baladas extremamente românticas, com letras igualmente simples, e por vezes de cunho religioso. Sem falar que, quando jovem, soltava mais a voz, obtendo timbres incríveis, que abandonou depois, quando passou a cantar de forma mais contida e elegante.  

Apesar disso, respeito seu trabalho e o grande sucesso obtido na carreira. Faço minhas estas palavras de Caetano Veloso, ditas há muitos anos: “Eu não ouso falar mal de Roberto Carlos”. Contudo, não considero Roberto o maior cantor brasileiro, como julga a sua grande legião de fãs, mas um dos quatro melhores.  

Minha homenagem se configura quando relembro que, estando a Jovem Guarda no auge, embora eu fosse uma criançinha de 5, 6, 7 anos, percebia, e isso me marcou muito, o grande impacto que sua voz e sua imagem causavam na época entre os jovens, a emoção e o fanatismo dos fãs, tanto na televisão quanto na casa dos parentes. Na verdade, os Beatles – a partir da Inglaterra e depois dos Estados Unidos – é que causavam o maior alvoroço pelo mundo a fora, e serviam de  modelo para os jovens músicos dos demais países.    

Falando ainda da infância, lembro-me de cantarolar os sucessos do Rei, muitas vezes brincando sozinho na terra, e sem entender patavina das letras. O trecho que mais me trazia regozijo em cantar (baixinho, pra mim mesmo) era “quero que você me aqueça neste inverno / e que tudo o mais, vá pro inferno”. Muito bonita na voz do Rei.  Para encerrar, digo que aprecio muito umas cinco canções do Roberto, sendo que a melhor de todas, para mim, é “Nas curvas da estrada de Santos”, que possui linda letra e linda melodia. 

Memória da Cidade

14/Abr/2009

Morreu aos 92 anos, neste mês de abril, o mais antigo livreiro de Belo Horizonte, Amadeu Rossi. Seu Amadeu, como era conhecido, manteve por mais de 60 anos um sebo no centro da cidade, à Rua Tamoios, que leva o seu nome. Em 2004, entrevistei-o e publiquei uma crônica, intitulada Memória viva da cidade, que cita o livreiro e outros personagens. O Sebo do Amadeu foi frequentado por escritores como Oswaldo França Júnior, Murilo Rubião e Roberto Drummond.

(publicado também in cronopios.com.br)