Gourmet de Botequim

GALINHANJA

27/Jul/2008

A gente costuma acertar na cozinha: é um prato que fica bom, outro que sai com tempero perfeito. E errar também: má consistência, um sal que passa. Também pudera, a vida é para profissionais, já disse um poeta. Noite dessas, fui fazer, pela primeira vez, uma galinhada. Comecei errado, nas compras. Comprei peito de frango, sendo mais indicadas partes menos macias, menos secas e menos nobres. O erro maior, entretanto, foi ter colocado muita água no arroz. Mas radicalizei a tempo, quando vi que a água não secaria devidamente. Coloquei mais água quente. O resultado foi que minha galinhada virou canja. E muito gostosa, por sinal, caindo ali feito uma luva o tal peito de frango.  

ESCOCÊS DE OURO

26/Apr/2008

O anfitrião mostrou-nos orgulhoso a garrafa do então uísque mais caro do mundo, o Royal Salute, 21 anos. Colocou meia dose para nós quatro. Eu nem bebia nessa época, mas, por curiosidade, dei uma bicada. A produtora francesa Pernod-Ricard colocou no mercado o champanhe mais caro do planeta, o Pierrer-Jouët: 4.166 euros a garrafa! Em 2003 surge um dos uísques mais valiosos – novamente Royal Salute, mas 50 Years Old. O preço? Só 10.000 dólares a garrafa, que traz o rótulo esculpido em ouro e prata. Se a Pernod-Ricard ou a Chivas Brothers quisesse presentear alguns mortais com seus top de linha, e por algum engano eu estivesse entre eles, eu pediria a minha parte em dinheiro.

ESPAÇOS GOURMET

4/Mar/2008

Desde a descoberta do fogo, mulher e homem cozinham. A culinária evoluiu. Do alce gigante abatido para o jantar até o requinte da cozinha francesa. Virou moda no Brasil lançarem prédios com “Espaço Gourmet”. São charmosos e creio ser uma tendência. Mas espaço gourmet sempre existiu: era o quintal com churrasqueira, o terraço, a varanda, a cozinha e até a calçada, bem como sítios e chácaras. Meu espaço gourmet é a cozinha do meu apartamento, onde reunimos, por vez, cinco ou seis amigos(as). Em geral, dois trabalham na confecção dos pratos (há uma alternância democrática) e os demais ficam sentados em banquinhos, tomando cerveja, comendo tira-gostos e proseando. Há coisa melhor do que isto?

VINHO DE ROMA

27/Jan/2008

Quando jovem, por volta dos 18 anos, minha turma se reunia na casa de um dos amigos: curtir um som, papear e tomar umas biritas. Começávamos a conhecer uma bebida não-tropical, o vinho. Quem nunca tomou da marca… de garrafa ou… de garrafão? Bem ruins, não é? Tinham de ser tintos, pois os brancos eram intragáveis. Não me tornei enólogo, não compro dos mais caros (não ganhei na loteria), mas gosto de apreciar um bom vinho. Fico com os que custam entre 8 e 20 dólares (preço de prateleira). E me contento com simples descobertas. Como a desse Frascati, um San Marco, 2006, que é muito gostoso. Branco seco, meio-frisante, da sub-região de Lazio, Itália. Neste verão, então, bem gelado…  Salute!

BH no THE NEW YORK TIMES

17/Dec/2007

BH é tema de uma reportagem do The New York Times, de 28 de outubro de 2007. Aliás, os botecos de BH é que são. Título da matéria: “A Town Where All the World Is a Bar” (Uma cidade onde o mundo é um bar). Por ser a capital brasileira com maior quantidade per capita de bares, possui desde os mais sofisticados até os mais grotescos. O jornalista norte-americano focaliza principalmente os botequins. Alguns, até exóticos, como o Bar do Caixote, que fica no bairro João Pinheiro, zona Oeste, cujas mesas e cadeiras são caixotes de madeira. Cita o Mercado Central de Belo Horizonte e alguns bons botecos das regiões Sul e Norte. E dá dicas oportunas de pronúncias para eventuais visitantes dos EUA.  Exemplo: “Saideira (sah-ee-DARE-a): One last round”.

BACALHOADA

14/Oct/2007

Jamais havia comido bacalhoada em toda a minha vida, minha mulher também não, e nunca pensei que eu viesse a fazê-lo. Na Semana Santa deste ano, eu estava na roça e tinha tomado umas cervejas, quando minha cunhada nos ofereceu a iguaria. Para meu espanto, minha mulher provou e aprovou o peixe. Em seguida, foi minha vez de criar coragem e desfazer essa rejeição de mais de quarenta anos. Perguntaram se eu havia gostado, respondi com sarcasmo que não estava preparado psicologicamente para responder. Voltei a degustar o peixe outras duas vezes em restaurante. Passados seis meses, nova bacalhoada na roça. Agora dei meu “parecer”:  peixe fino, sabor único, de uma consistência especial.

OVO

17/Sep/2007

Há homens e mulheres (estas, em menor número) que dizem não saber “nem fritar um ovo”. Sensibilizada com isso, a coluna Gourmet de Botequim resolveu ensinar essa arte. Lição muito útil para qualquer pessoa, sobretudo para os marmanjos que moram sozinhos. Anote aí: coloque numa frigideira (as melhores são as revestidas de teflon, material antiaderente) um pouco de óleo - ou manteiga ou margarina. Quando estiver quente, deite ali o ovo, com uma pitada de sal. Assim que a clara estiver bem passada, retire o ovo com a escumadeira e sirva imediatamente. Pronto! Você venceu a primeira etapa de uma longa caminhada. No futuro, quem sabe, poderá se tornar um grande chef.

CANTINA LAZARELLA

11/Aug/2007

Há muito eu queria conhecer o bairro do Bixiga, em São Paulo, onde velhas casas foram transformadas em Cantinas Italianas. Tive esse privilégio em julho, acompanhado de minha mulher e de um casal de amigos pra lá de gente fina. A escolha recaiu sobre a Cantina Lazarella, na Rua Treze de Maio. O local é muito simples e o preço, razoável. Um lugar divertidíssimo, para quem gosta de fuzarca: música italiana tradicional, ao vivo, sirenes tocando e até um galo empanado que berra de vez em quando. Comemos lasanha, nada do outro mundo: normal. O vinho da casa é bonzinho, servido em jarras. Pela alegria, vale à pena conhecer a Cantina Lazarella.