Jardim de Quintana

28/Dec/2008

Para encerrar o ano, deixo no blog os versos finais do poema Jardim Interior, bela reflexão do poeta Mário Quintana:

“ O que mata um jardim não é mesmo

alguma ausência

nem o abandono…

O que mata um jardim é esse olhar vazio

de quem por eles passa indiferente. “


Roubo de doações

16/Dec/2008

Aqui em Minas, no Rio, em muitos Estados, as águas causam estragos. Mas em Santa Catarina, como sabemos, foi uma tragédia, que ainda permanece, com regiões inteiramente alagadas. Situação que nos comove, por tão cruel. Nos primeiros dias, a TV mostrou a desoladora cena de pessoas saqueando supermercados. Quando começou a campanha nacional para envio de doações, ocorreu-me esta dúvida: quem vai administrar a enorme remessa de roupas, produtos alimentícios e dinheiro? Por óbvio, eu já previa o risco de desvios. Ninguém pensou nisso seriamente? Autoridades, governo e as grandes empresas que estão pedindo doações? A notícia de hoje, nos jornais, é a de que alguns militares e voluntários estão enchendo o porta-malas de seus carros com roupas e demais produtos e levando para suas próprias casas.  Isso não é apenas triste. Dá vergonha de ser brasileiro.  


About Obama

16/Nov/2008

“Deixaram o mercado caminhar livre, sem controle, e ao fazer isso, pisaram em cima dos nossos valores de integridade, balanço e responsabilidade uns com os outros”. 

Esta frase não é de um barbudo de esquerda, mas do novo presidente dos EUA, Barack Obama. E dá uma pista sobre quão delicada é a atual situação econômica mundial, e a razão de ser ele, Obama, tão aguardado não só pela maioria dos estadunidenses, como também por boa parte dos cidadãos do mundo.  

Obama sinaliza que, além do item primordial, a economia, preocupa-se com outras questões, como os valores éticos, a relação dos EUA com o resto do mundo e a emissão de gases na atmosfera. É ver para crer.  

Bush, além de deixar a economia em frangalhos, inventou uma guerra que arrasou o  Iraque física, econômica e moralmente, provocando a morte de militares iraquianos, europeus e estadunidenses, e de uma grande leva de civis. Para quê? Ainda estamos em busca de respostas.   

Barack Obama pega esse bonde desgovernado, promete medidas corretivas para a economia e um relacionamento mais digno com o resto do mundo. Uma missão e tanto.


A porta

13/Oct/2008

Rasguei a porta que fechava o mar.

Veio o sol ardente o sol nos dourar.

.

O vento com doçura nos buliu.

A lua com o sol daqui fugiu.

.

O novo horizonte desbotou:

Noite, foi você então quem chegou?

.

© Rogério Miranzelo


Per La Notte

21/Sep/2008

A noite me leva

a desenhar pessoas.

Que vão e voltam

feito balões.

© Rogério Miranzelo


Minha praia

7/Sep/2008

Transito nas áreas de administração, contabilidade, economia, informática e afins, por necessidade, por uma questão de sobrevivência.  Se pudesse, viveria da arte. Alguém vive da arte? A vida não nos fornece um fichário ou um crachá onde se lê: você é isto, ou aquilo. Nós é que temos que descobrir o que é ótimo e o que é necessário.


Versos da MPB

9/Aug/2008

Agradeço aos que me enviaram e-mail comentando as frases que recolhi da MPB e publiquei no blog. Bom final de semana.


Belos versos da música brasileira - Parte II

20/Jul/2008

Sempre houve polêmica nesta questão: letra de música é ou não é poesia? Também eu me confundia bastante sobre isto, vinte anos atrás. Depois de pesquisar as duas linguagens e de ouvir palestras de pessoas “autorizadas”, ou seja, que produzem bem ambas as coisas, letras e poemas, pude concluir que são coisas diferentes – e a explicação não é tão simples para caber aqui. Entretanto, e agora a opinião e a provocação são minhas, se é inegável que a poesia pode existir em muitos lugares – num filme, numa pintura, num discurso – por que não numa letra de canção?  Leia abaixo alguns versos que selecionei, do cancioneiro popular do Brasil, para esta segunda parte. Depois clique no que foi escrito em agosto de 2007, pois lá se encontra a primeira parte desta seleção. 

“Eu venho das dunas brancas, onde eu queria ficar, deitando os olhos cansados, por onde a vida alcançar” - de Ednardo, em Terral 

“Cada braça de caminho, um soluço de saudade,  toda vereda de roça vai descambar na cidade” - de Ednardo e Climério, em Estaca Zero 

“A vida é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,  vai reduzir as ilusões a pó” - de Cartola, em A vida é um moinho 

“Se ela um dia despencar do céu, e se os pagantes exigirem bis, e se o arcanjo passar o chapéu, e se eu pudesse entrar na sua vida” - de Chico Buarque, em Beatriz, parceria com Edu Lobo 

“Luzes da cidade  acendendo o fogo das paixões num bar à beira-mar,  no verde-azul do Rio de Janeiro” - de Nelson Motta, em Coisas do Brasil, parceria com Guilherme Arantes 

 “Pra dar um tempo e prestar atenção nas coisas, fazer um minuto de paz” - de Ronaldo Bastos, em  A página do relâmpago elétrico, parceria com Beto Guedes 

“O futuro não é mais como era antigamente”- de Renato Russo, em Índios 

*Depois tem mais.


Belo

14/Jul/2008

Se o espírito belo-horizontino é barroco, como o de todo bom mineiro, não nos parece tão dramático e complexo que traga dentro de si o embate permanente entre o místico e a matéria, entre o espiritual e o temporal(…).

Feito Minas, o coração de Belo Horizonte comporta grutas de silêncio e mares de água doce.

© Rogério Miranzelo – da crônica Belo
 


Arte: Essencial

24/Jun/2008

O 40º Festival de Inverno da UFMG, este ano, será realizado em Diamantina entre os dias 13 e 26 de julho. São diversos cursos, oficinas, instalações, que abrangem as artes cênicas, literárias, musicais e visuais. Há muita gente boa coordenando os encontros. Quem tem condições de ir, não deve faltar. Sobre Diamantina, que é uma beleza de cidade, escrevi certa vez numa crônica: “Depois de caminhares por sobre a grafita das pedras geladas, incrustadas ali por escravos, e de te emocionar com as canções mais singelas, na seresta mais bela, bebe da água límpida do chafariz(…)”.

Informações detalhadas: www.ufmg.br/festival