Bienais do livro

20/May/2008

Há dois anos – aproveitando que estava em São Paulo – fui conhecer a Bienal do Livro. Gostei, embora tenha achado cansativo o programa. Eu estava próximo à estação de Metrô Consolação. Mesmo assim, gastei cerca de uma hora e meia para chegar à Bienal, completando de táxi o percurso até o Anhembi. Chegando lá, a fila era uma centopéia gigante, que fazia quatro ou cinco voltas diante da grande edificação. Resultado: uma hora na fila. Depois de percorrer os mais de 30 mil m² da exposição, tombei faminto e suado. Os livros são mundos à parte. Por isso lhes dedicamos tamanho esforço. 

Belo Horizonte acaba de inaugurar sua primeira Bienal do Livro, no Expominas. Não é tão gigante quanto à de São Paulo, mas é boa. As Bienais se assemelham na estrutura física e nas programações. É um espaço freqüentado basicamente por famílias, estudantes e crianças. Para nós, adultos e amantes da literatura acima de quaisquer outras “atrações”, é algo meio maçante.   

A Bienal do Livro de BH vai até o dia 25 de maio. Tem Café Literário, Encontros de Leitura, música e outros divertimentos. As Bienais são importantes para aproximar o cidadão comum dos livros. É um namoro necessário. São também um ótimo sítio para comerciantes – editoras e livreiros.  

A vantagem do Expominas é que fica a apenas 5 km do centro da cidade, com acesso fácil pela Av. Amazonas. A relação quantidade de pessoas/quantidade de lanchonetes também é melhor que a de Sampa. Na Bienal de São Paulo lanchei sentado no chão (de carpete), em companhia de umas doze pessoas - jovens, mulheres e crianças. Quando a fome bate, qualquer lanche é banquete; qualquer chão é salão nobre. São Paulo está perdoada porque é um mundo. Um mundo à parte, como são os livros.


Curtir o agora

16/May/2008

É preciso curtir o hoje: eis um chavão verdadeiro! Quando fiz 37 anos, comemorei como se fosse uma data cheia, feito 30 ou 40. Amigos e parentes vieram, alguns até do interior. Uma brisa fria de maio passava pelo terraço do prédio onde morávamos. (Não costumo “me” comemorar e parece que eu previra o futuro, pois meus 40 anos passaram batido.) Repeti a dose agora, dez anos depois, no último dia 14. Só que os 37 viraram 47. Finjo que me assusto. Bobagem, não me sinto pior assim. Hoje tenho mais e melhores planos do que tinha em 1998. Mais uma reunião aconchegante, na qual estreei uma nova taça de vinho.

No mesmo dia, logo cedo, o Correio me entregou duas caixas de livros. Me alegrou a coincidência - dia do meu aniversário. Eram livros de um projeto cultural, Banco de Talentos, que abrange Literatura (contos e poesia), Música e Artesanato. Fui um dos selecionados, com o poema intitulado ” 11 “, que pode ser lido no meu site (textos), na versão original, em português, e vertido para o inglês. 

Chega mais.


Seres abjetos

4/May/2008

Nada tenho a dizer a um pai que mata a própria filha, jogando-a pela janela de seu lar.  

Nada tenho a dizer a outro pai, que estupra e aprisiona num porão, por 24 anos, sua própria filha. 

Ou às mães que jogam seus bebês no ribeirão Arrudas, na lagoa da Pampulha ou na sarjeta. 

Nada tenho a dizer a seres abjetos. 


Um e Duas

9/Apr/2008

Um coração sujo de graxa

pode brilhar;

é só lustrar. 

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Duas pernas no ápice da graça

devem tremer,

bambolear. 

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© Rogério Miranzelo – do livro Lua diferente


Galo 100 Anos

25/Mar/2008

O amor ao Atlético Mineiro

Faz meu coração bater forte

É o time do mundo mais amado

Pra sempre, sempre, sempre, Galo

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Na mágica do esporte

Nenhuma paixão é tanta

Nenhuma alegria, tão santa

Pra sempre, sempre, sempre, Galo 

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© Rogério Miranzelo 


Com a boca, os pés e a dignidade

7/Mar/2008

Num desses finais de ano, recebi pelo correio vasto material de divulgação do trabalho desenvolvido pelos Pintores com a Boca e os Pés. São artistas admiráveis. Recebi seis cartões de Natal, de ótima qualidade gráfica, com a reprodução de belos quadros. O pagamento era opcional. Como não utilizo mais cartões desse tipo (prefiro o uso de e-mails), não efetuei o pagamento. Arrumando hoje meu escritório, achei os cartões, esquecidos ali havia muito tempo. Decidi que irei hoje ao Banco fazer o depósito, porque os artistas merecem; mas sugiro que a divulgação não seja feita dessa maneira, com custo elevado e, talvez, sem o retorno esperado. Esse grupo de artistas tem muito a ensinar ao Brasil, tão marcado por mazelas políticas, sociais e econômicas. Os Pintores com a Boca e os Pés ficam em São Paulo, à Rua Tuim, 426, fone 11-5051-1008.


Antologia digital

4/Mar/2008

Acaba de ser lançada a antologia digital Saciedade dos Poetas Vivos nº 6, da qual tenho a honra de fazer parte. O volume traz 17 poetas, tendo como convidados especiais Thiago de Mello e Martha Medeiros. O endereço é www.blocosonline.com.br. Confiram lá.


O Ex-poeta

28/Feb/2008

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© Rogério Miranzelo – do livro Lua diferente


Epicteto - sobre o mal

11/Feb/2008

“O mal não é um elemento natural no mundo, nos acontecimentos ou nas pessoas. O mal é um subproduto da negligência, da preguiça, da distração: surge quando perdemos de vista nossa verdadeira meta na vida.”

Epicteto (50 d. C. - 127 d. C.)


Porque hoje é sexta

18/Jan/2008

Porque hoje é sexta. 

Poderemos respirar mais fundo, um ar diferente, embora poluído. Recriando dois versos do poema “O dia da criação”, de Vinicius, eu declaro: 

Hoje é sexta, amanhã é sábado.

Impossível não notar essa dócil realidade

Sexta-feira é um dia especialíssimo. Cada qual a tem do seu jeito, é verdade, mas ela existe para todos. É o dia da preparação do descanso, após uma semana pesada. Dia de planejarmos boas coisas para nós mesmos, inclusive para o sábado e o domingo.  

Mal raia a sexta e todos acordam animados, apesar do cansaço. No trabalho, as pessoas parecem mais satisfeitas, pacientes, uns a brincar com os outros. Momento de curtir a alegria que todos nós merecemos. 

Sexta-feira… Belo dia pra pensar sobre o já feito e sonhar com o que virá.  Pra fazer um balanço da semana vencida. 

Já falaram tanto do sábado! Em poemas, reportagens, na vida, de toda forma. Claro, o sábado merece, é maravilhoso. Mas faço uma provocação: para existir o sábado, é preciso que antes exista a sexta-feira.  

Na sexta, dá vontade de levantar e ir trabalhar mais cedo. Quem sabe, para o dia não ficar tão longo no final. Assim nos parece, mesmo que ilusoriamente. Para muitos, no início da noite, o melhor momento para tomar um chope gelado e prosear com os amigos. Ah, o pastelzinho de carne, a batata frita, a porção de queijo e a picanha assada nos esperam no entardecer da sexta. É preciso certa cautela, nos comes e bebes, para não perdermos o sábado e sua graça singular.  

No dia de hoje, uns vão ao cinema, outros ao teatro, à lanchonete, a um show musical, ao shopping, namorar, enfim, a noite é convidativa. E sendo Belo Horizonte a Capital Nacional dos Bares, a coisa ficar mais fácil.  

No verão, as noites de sexta se tornam ainda mais distintas: o mormaço e o fim da estiagem provocam um movimento diferente nas ruas, o comércio se arrastando com preguiça, as loterias prometendo castelos, o ano a começar. Uns viajam, os jovens caem na balada. 

Ir a um restaurante com a família também é boa pedida. Ou nada disso. Ficar em casa, esticar os pés, andar descalço, espreguiçar, tomar banho morno, encostar-se ao sofá, ler ou ficar diante da TV. Ficar pensando no que fazer e, de repente, decidir por nada fazer. Porque hoje é sexta, e a noite brilha inteira e livre como nunca.